Thamires Oliveira
- espontanha
- 27 de nov. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 30 de nov. de 2023

Thamires em "A Gota D'água" de 2023. (Foto: Arquivo Pessoal/Thamires Oliveira)
A paixão da atriz cearense Thamires Oliveira pelos palcos começou ainda na infância em apresentações escolares quando ela tinha por volta de seis anos de idade. Com 24 anos, sempre curiosa, acredita que sua motivação para estar no meio teatral foi a sensação de diversão que atuar trazia à ela enquanto criança, como se ela estivesse "brincando de ser atriz".
Durante sua trajetória, a atriz destaca quatro peças que são de grande importância para ela: o que marcou o início foi "João e Maria", apresentada na escola, na qual, ela interpretou Maria aos seis anos. Outra foi uma readaptação do clássico da Disney “O Rei Leão”, intitulada “Rei Leão Tá Diferente”, ambientada na realidade da favela de Fortaleza e apresentada no Cuca Mondubim entre 2018 e 2019, na qual, interpretou o papel de Preta de Neve.
A terceira peça de grande relevância foi "A Escolha" de 2018, que tinha como temática o amor entre mulheres, explorando passagens bíblicas. E, por fim, "A Gota d'Água", que marcou seu retorno para os palcos em 2023, após uma pausa devido a problemas pessoais. “Foi uma experiência intensa apresentar isso, considerando tudo o que a religião diz sobre as pessoas LGBT+. Então, acredito que essa também tenha sido uma peça muito importante para mim.”, revela a atriz.

Rei Leão Tá Diferente apresentada no Cuca Mondubim em 2019 (Foto: Arquivo Pessoal/Thamires Oliveira)
Para escolher um papel, Thamires se fundamenta em alguns critérios. O respeito mútuo entre todas as partes envolvidas, a riqueza de vivências artísticas proporcionadas pelo projeto que contribuem para o seu bem-estar e o conhecimento acerca do assunto da história, pois ela busca iniciativas que representem a vivência periférica.
“Não consigo participar de um projeto que não respeita minhas perspectivas ou que não respeita a vivência da comunidade. Busco, principalmente, projetos que abordem a vivência periférica e que respeitem nossas experiências, as realidades que vivemos e tudo o que sonhamos.”
Além do respeito à vivência periférica, Thamires busca projetos que abordem a negritude e as experiências de pessoas LGBTQIAPN+. Como uma artista negra, lésbica e que cresceu na periferia, ela encontra inspiração em histórias e vivências semelhantes às suas, assim, considera como sua principal influência a Cia Nóis de Teatro, um movimento articulado do bairro Bom Jardim.
O nervosismo e a pressão acompanham a atriz e surgem quase sempre antes de entrar em cena, mas não moldam a sua potência. Ao pisar no palco, ela deixa de ser a Thamires atriz para incorporar a personagem que estudou e praticou para desempenhar na hora da apresentação. Essa imersão é tão profunda que ela só volta a se reconhecer quando deixa o palco.
Na visão da atriz, a jornada dentro do teatro independente é difícil e angustiante, mas ao mesmo tempo, gratificante. As oportunidades são bem escassas, o retorno financeiro é limitado e incerto. Entre 2020 e 2021, passou por um período inerte, onde trabalhava como estoquista em uma loja, com uma carga horária de mais de 7 horas diárias e para se estabilizar, a atriz precisou dar uma pausa no que mais ama, pois estava tendo dificuldades para conciliar o trabalho CLT com o teatro.
“Era como se eu não estivesse vivendo de verdade, como se estivesse tudo no automático, como se a alegria não existisse dentro de mim. Era como se algo estivesse faltando.”, desabafa a atriz.
Hoje, no cargo de vendedora, com 4 horas diárias de trabalho, consegue dedicar tempo aos estudos e ao teatro. A persistência é testemunho de tamanha paixão dos artistas por seus trabalhos. Para Thamires, voltar a estudar teatro trouxe sua alegria de volta e quando se é alguém que "nasce para a arte e se afasta dela", a vida parece estagnar.
Um momento muito marcante para a atriz, foi quando ela se apresentou como a palhaça Café, personagem voltada para o público infantil. Por volta de 2016-2017, Thamires fez curso de palhaçaria na Vila das Artes e de lá, surgiu a Café. Ela revela que o brilho nos olhares das crianças é algo que nunca vai “conseguir apagar da memória”. Para ela é a “realização de um sonho” proporcionar experiências para crianças.
"O sorriso no rosto delas naquele dia foi a realização de um sonho, especialmente ao ver uma criança pensando: "Ela parece comigo, então eu também consigo." É muito gratificante poder mostrar representatividade para outras pessoas dentro da arte, algo que eu não tive quando era criança.”, revela a atriz.
Quanto aos planos futuros, a atriz está escrevendo a peça “Raízes”, que tem como temática a vivência de mulheres pretas da periferia. A peça faz parte do seu repertório junto da Cia Sois, fundada por ela com seu amigo e colega de trabalho Pedro Igor. A Cia Sois, foi consolidada em torno de 2018 a partir da vontade de jovens de criarem as próprias oportunidades para sua arte, é uma companhia independente de teatro de Fortaleza que promove oficinas, saraus, espetáculos e produções culturais. Thamires afirma que o processo de escrita é "muito gratificante, mas também muito doloroso", pois são assuntos que vêm de suas raízes.
A seguir um vídeo do canal oficial da Cia Sois no Youtube:
A artista também escreve poesias:
Só consigo lembrar de nós duas
Sentadas no portão da tua casa
Enquanto tu contava do teu dia eu te sorria
Lembro do gosto do teu café amargo que nem a saudade que te sinto
Da vontade de te sentir aqui em mim
Aqui
Sempre lembro de ti
Para acompanhar o seu trabalho, siga o Instagram da atriz @thamiamor. E também, siga o instagram da Cia Sois de Teatro @ciasois.
Entrevista realizada por Tania Cerqueira.
Aaaaah tu é incrível Thami, saudades de você, te acho uma artista incrível. Sucesso sempre. Amei te conhecer melhor por aqui, fiquei encantado. Nunca desista dos seus sonhos. 🥰🤌🏾
Estou tão feliz em participar desse projeto incrível, muito obrigada pela oportunidade e por as descrições e o jeito que me enxerga no mundo.
Tô transbordando de alegria aaaaa 💙✨️
"Quando alguém nasce para a arte e se afasta dela, parece que a vida estagna" Muito forte e real isso. Tô feliz em saber que ela conseguiu retornar ao teatro!
P.S: Café é um nome incrível para palhaço skdkdsks